Yves de Sá

Ausências

Nunca foi sobre perder.

Há ausências que florescem.

O não, às vezes, protege mais que a dor.

Buscar demais é se dissipar.

 

Estranho, quando a dor descansa, eu paraliso.

Como se meu talento morasse no abismo,

e a alegria me desfizesse.

 

O silêncio tem dentes.

A ausência chama pelo nome.

Nada pesa mais

que apenas ser

sem consumir,

sem ser consumido.

 

Ainda assim, fico.

À espera de um quase,

um gesto,

um eco,

um olhar que me devolva à lembrança.

 

Sinto, mas não digo de quê.