Luciel Saintl

Eu te amo. Por quê?

Quantas vezes ele disse que te ama?

Muitas, não é mesmo?

Tantas que você sequer pode contar;

e mesmo que pudesse, se perderia.

 

Quantas vezes ele disse por que,

por que realmente te ama tanto?

Essa conta não bate, né? Normal.

Imagine se toda vez que... Enfim.

 

Aposto que ele nem sabe mais

o que é isso, que chamam de amor;

não, eu não estou a dizer que ele

deixou de te amar, não confunda.

Mas é que o amor, para ele, 

é um dos grandes mistérios 

que neste mundo ainda há.

 

É até estranho falar de amor

como unidade, como a infância:

O que existe, na verdade, são amores,

são infâncias, dos mais diversos tipos,

todos peculiares e misteriosos,

e, sobretudo, marcantes;

e eu, concordo com...

 

— Ele? 

— Sim. 

— Mas, ele é você, meu amor.

— Eu sei... e essa é a pior parte.

— Por quê? Você me disse poucas vezes por que me ama — com palavras. Mas, por outros meios, tem me dito sempre, muito antes de dizer o primeiro eu te amo.

— Sim, mas...

— Eu também te amo, muitão.

— E eu: tanto quanto não sei dizer o(s) porquê(s).