Jairo Cícero

O Abraço Salgado da Alma

 
 
 
Quando o asfalto cansa, e o tempo se apressa, 
Um chamado ancestral nos acende a promessa. 
O sal no paladar, o horizonte sem fim, 
O mar nos convida a voltar para si.
 
 
Seus braços de espuma, seu sopro de vento, 
Desfazem nas ondas qualquer lamento. 
No ir e vir constante, na força que flui, 
A alma se acalma, a paz se constrói.
 
 
É como se as águas lavassem por dentro, 
Levando o que pesa, limpando o momento. 
Num vasto espelho, a mente a vaguear, 
Encontra respostas no fundo do olhar.
 
 
A imensidão reflete o que somos, o que seremos, 
Pequenos no mundo, mas grandes se cremos. 
Que a vida é um rio que deságua no além, 
E o mar nos lembra: pertencemos também.
 
 
Na areia macia, o corpo repousa, 
A mente se liberta de toda a prosa. 
E a cada maré que recua e que vem, 
Renascemos humanos, inteiros e zen.