Deus escreve cada linha da nossa história.
Cada momento.
Cada palavra dita.
Cada memória.
Cada acontecimento
tem um propósito.
Nenhuma folha cai da árvore…
sem a permissão divina.
Então me explica…
Por que aquilo que me fez florescer
agora me ensina a sofrer?
Como pode o mesmo amor
ser cura…
e também dor?
Existem coisas que me machucam...
e eu permaneço.
Fico.
Insisto.
Resisto.
Mesmo sabendo que dói.
Existem pessoas que me curam…
mas são inalcançáveis.
E a indiferença…
A indiferença não grita.
Mas fere.
Ela não empurra.
Mas exclui.
Ela não sangra por fora
mas destrói por dentro.
Só o fato de falar já me alegrava...
Agora tudo isso machuca
E mistura junto com a culpa .
E eu me pergunto…
por que eu sou assim?
Por que tudo toca tão fundo em mim?
Por que sou tão sentimental?
Tão inteira?
Tão visceral?
Eu deveria não ligar.
Ignorar.
Ser fria.
Mas eu não sou assim.
Ignorar também me machuca.
Vai contra quem eu sou.
Vai contra o que Deus plantou em mim.
Pra algumas pessoas é fácil…
ser indiferente.
Não ter empatia.
Não sentir.
Não se envolver.
Mas pra mim…
dói demais.
Dói ouvir palavras maldosas.
Dói calar para me proteger.
Dói ignorar.
Dói permanecer.
E talvez o que mais doa…
seja o luto.
O luto não passa.
Ele não vai embora.
Ele vira uma flecha
cravada no peito.
E só quem já foi atravessado
entende esse peso.
Dói perder quem você ama.
Mãe.
Pai.
Filho.
Dói não ter conseguido salvar.
Dói carregar a culpa
que ninguém vê.
Peço pra Deus me guiar.
Porque às vezes eu estou vivendo no escuro.
E isso dói.
Dói acordar.
Dói lembrar.
Dói continuar.
Peço pra Deus que me liberte
desse cativeiro invisível.
Porque era a coisa mais bonita
que me fez florescer…
e agora essa dor
está me matando aos poucos.
Mas eu ainda estou aqui.
Mesmo ferida.
Mesmo cansada.
Mesmo em luto.
Eu estou lutando.
Eu estou respirando.
Eu estou sobrevivendo.
E enquanto eu sentir…
eu ainda estarei viva.