Pés descalços, enfurecidos pela distância,
cada vez mais longe do destino.
Abraça com zelo a crença, com ânsia.
Anciã peregrina, solidária no tempo,
tudo viu, testemunhando o morrer das horas.
Vagueia na antropologia audaz da vida,
esgueira-se num sorriso medonho, enrugado —
uma lembrança longínqua.
Pé a pé, arrasta-se em passeios longos,
estreitados pelo vento traduzido em tempestade.
Reflexos esbarram na mente.
O olhar triste alcança milhas de vidas
e mergulha na mais profunda agonia do passado,
numa apaixonada invasão do presente.
Iludida, a caminhada tropeça na entrada:
o destino solitário se revela na andança.
Imagno Velar