Dúvidas que pousam sobre a mente
pesam mais
do que qualquer verdade já dita.
São sombras silenciosas
que permanecem por anos,
mesmo quando nada fazemos
para expulsá-las do pensamento.
E então me pergunto —
isso nos torna fracos
ou incrivelmente fortes?
Ou será apenas uma armadura
essa pose de quem suporta tudo,
de quem finge não sentir,
enquanto se engana
para sobreviver?
Tenho pensado tanto
nas questões que ficaram abertas,
nas respostas que nunca vieram,
nos caminhos que abandonei
sem olhar para trás —
ou talvez olhando demais.
Carrego a certeza
de que jamais esquecerei
as escolhas que fiz…
e a felicidade
que deixei partir.
Não toda ela —
mas aquela alegria rara,
que só existia
ao lado de uma única pessoa.
Uma lembrança que insiste
em retornar,
sussurrando baixinho
na imensidão da memória:
e se…
eu tivesse escolhido diferente?