Eles pintam o mundo com cores que não existem,
e a gente, no cansaço, acaba acreditando.
Falam de paz com o dedo no gatilho,
prometem o amanhã enquanto o hoje vai sangrando.
Transformam nossa vida em números e metas,
nos prendem em telas pra gente não se olhar.
É tanta notícia, tanto barulho e pressa,
que o silêncio de quem pensa chega a assustar.
Enquanto a gente discute por qualquer bobagem,
eles brindam no alto, longe do nosso chão.
Fazem do nosso medo a sua maior vantagem,
e da nossa dúvida, a sua própria razão.
Dizem que quem questiona perdeu o juízo,
que o certo é seguir o fluxo e não reclamar.
Mas tem algo aqui dentro, um aviso, um sorriso...
Uma vontade teimosa de desaprender a aceitar.
Não é só sobre leis, é sobre o que a gente sente.
A verdade não tá no jornal, nem no que eles dizem ser.
Tá no olho no olho, na alma da gente,
que, mesmo cansada, ainda insiste em crescer.