Eu te via de longe
e já não era só olhar.
Era pressentimento antes do gesto, imaginação que avançava.
Onde o tempo ainda não tinha ido.
Você ficava ali, inteiro, como quem sabe que é visto e não precisa provar.
A varanda virou cenário.
O silêncio virou convite, e cada troca de olhar era um passo dado por dentro.
Éramos vizinhos de distância,
alinhados na intenção de ir ao encontro.
Quando você abriu o portão, o mundo perdeu espaço.
Atravessei o meu porque já não cabia em mim
tanta vontade de permanecer.
Não foi encontro.
Foi escolha.
A paixão já estava pronta.
Só esperava o instante alcançar o que a imaginação já conhecia.