Sonhei com um garoto que tinha rosto,
mas não tinha nome.
Fora das terras frágeis do sonho,
ele é apenas ausência,
um desconhecido que não existe
na memória acordada.
Ele passou por mim como quem
não quer ficar, mas deixou
um gesto –
não apenas um toque, e sim a mão
inteira encontrando a minha,
como se o silencio também soubesse
sentir.
Não sei quem ele é.
Talvez nunca soube.
No sonho, ele tinha traços;
na vida, é nevoa.
Acordei com a mão vazia,
tentando reconhecer um toque
que nunca mais voltou.
E entendendo, tarde demais,
que algumas presenças
só existem para virar falta.