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Aos treze

Nasci sem saber o que ia pesar,

cresci tentando em tudo me encaixar.

Ser filha mais nova é aprender cedo

a esconder no peito culpa e medo.

Aos treze, o chão pra limpar,

mão pequena, mundo a cobrar.

Olhares diziam sem explicar

que minha chegada fez tudo mudar.

Na escola aprendi a me medir,

sempre alguém melhor pra competir.

Corpo, cabelo, jeito de falar,

tudo em mim parecia faltar.

Em casa, às vezes, eu era o silêncio,

mesa cheia, coração suspenso.

Não filha única, mas solidão,

presente ali, fora da canção.

Mas nem tudo foi dor ou ferida:

houve riso, abraço, luz na vida.

Teve amor, teve bem, teve calor,

teve cuidado misturado à dor.

Hoje eu agradeço por onde nasci,

pela família que também me fez surgir.

Mesmo depois de tudo, eu aprendi:

eu também sei amar — e fiquei aqui.