Não trago o troféu nas mãos, nem o descanso na alma;
O caminho ainda me chama pelo nome,
E a poeira dos passos diz que não cheguei.
Sou um eterno aprendiz da estrada,
Alguém que tateia o amanhã com a ponta dos dedos.
Mas há uma arte que aprendi com o tempo:
A sagrada maestria de esquecer.
Deixo para trás as âncoras do que fui,
As sombras dos erros que já não me definem,
E até os louros das vitórias que já murcharam.
O passado é um mapa riscado;
O presente é o fôlego que me impulsiona.
Estico o corpo, inclino o coração.
À minha frente, o invisível se torna Alvo.
Não corro pelo vento, nem fujo do cansaço;
Corro pelo chamado que ecoa do Alto,
uma voz que atravessa as nuvens e me diz: \"Vem\".
O prêmio não é o que conquisto aqui embaixo,
Mas Quem me espera no final da pista.
Com os olhos fixos na Luz,
Eu não apenas caminho...
Eu prossigo.
Maiza Chagas