D. Valença

Meus maiores segredos

Antigamente eu pensava alto.

Imaginava que você não olharia para o lado, que não me notaria.

Mas a verdade é que eu sempre te observei.

Em silêncio.

Sem coragem.

Era como um disco riscado, a mesma frase na cabeça, nenhuma palavra na boca.

Fiquei ali, quieto, te olhando enquanto lia Clarice Lispector.

Tão culta.

Tão cheia de vida.

Sem intenção alguma de ser vista, e sendo tudo.

Eu só queria dizer um “oi”.

Mas você chegou perto

e disse mais do que uma palavra.

Às vezes, o amor começa assim, no silêncio de quem observa e no gesto de quem se aproxima.