Antigamente eu pensava alto.
Imaginava que você não olharia para o lado, que não me notaria.
Mas a verdade é que eu sempre te observei.
Em silêncio.
Sem coragem.
Era como um disco riscado, a mesma frase na cabeça, nenhuma palavra na boca.
Fiquei ali, quieto, te olhando enquanto lia Clarice Lispector.
Tão culta.
Tão cheia de vida.
Sem intenção alguma de ser vista, e sendo tudo.
Eu só queria dizer um “oi”.
Mas você chegou perto
e disse mais do que uma palavra.
Às vezes, o amor começa assim, no silêncio de quem observa e no gesto de quem se aproxima.