Charles Araújo

CAJUÍNA

CAJUÍNA 

 

Dos campos, o perfume

Exala o aroma doce das flores do cajueiro.

Ao longe, um fio de fumaça

sobe ao céu 

 distante e triste

 como a vida de quem ama demais.

 

Oh, meu amor, não se entristeça tão cedo.

A colheita virá.

Veja: ainda há flores no cajueiro.

 

Sonhos são vagas lembranças.

Teus lábios nos meus

são como polpas de caju vermelho:

escorrem entre nossos peitos

no doce caldo do verão.

 

Lembra das tardes quentes,

descontraídos,

tomando cajuína

ao som dos Novos Baianos,

Alceu, Geraldo Azevedo,

Raimundo Fagner?

 

Tristeza não havia.

Mas, resignado, eu sabia

e desafinava em melancolia 

que tudo passa.

 

E um dia restarão só lembranças,

Lembranças,lembranças…

 

Ainda assim, hoje eu te digo:

 \"Quem dera ser um peixe

para e

m teu límpido aquário mergulhar…”