CAJUÍNA
Dos campos, o perfume
Exala o aroma doce das flores do cajueiro.
Ao longe, um fio de fumaça
sobe ao céu
distante e triste
como a vida de quem ama demais.
Oh, meu amor, não se entristeça tão cedo.
A colheita virá.
Veja: ainda há flores no cajueiro.
Sonhos são vagas lembranças.
Teus lábios nos meus
são como polpas de caju vermelho:
escorrem entre nossos peitos
no doce caldo do verão.
Lembra das tardes quentes,
descontraídos,
tomando cajuína
ao som dos Novos Baianos,
Alceu, Geraldo Azevedo,
Raimundo Fagner?
Tristeza não havia.
Mas, resignado, eu sabia
e desafinava em melancolia
que tudo passa.
E um dia restarão só lembranças,
Lembranças,lembranças…
Ainda assim, hoje eu te digo:
\"Quem dera ser um peixe
para e
m teu límpido aquário mergulhar…”