?Na sala de aula, o giz riscava a dúvida,
O mestre afirmava: \"Se o mal se faz presente,
E se o Criador é a fonte de toda a vinda,
Então a maldade reside na mão do Onipotente.\"
?Mas no fundo da sala, uma voz se levantou,
Não com gritos, mas com a calma da razão.
Ao mestre arrogante, o jovem questionou,
Sobre o que pensamos ter na palma da mão.
?\"Diga-me, mestre, o frio o faz tremer?\"
\"Sim\", disse o velho, \"é óbvio o seu rigor.\"
\"Perdoe-me a audácia, mas urge esclarecer:
O frio é o nada, é a falta de calor.\"
?\"E a noite profunda que nos rouba a visão,
Seria ela um manto de substância real?\"
\"Sim\", disse o mestre, sem hesitação.
\"Não\", disse o jovem, \"é a ausência do fanal.\"
?Não se mede o escuro, não se pesa o vazio,
Estuda-se a luz, o fóton, o clarão.
O frio não é força, é apenas o desvio,
Da energia térmica em sua vibração.
?Assim é o mal, essa sombra que assusta,
Não é uma essência, um decreto ou criação.
É o vácuo que fica na alma menos justa,
Quando o Amor se retira da equação.