Francisco Claudio Claudio Gia

O Vazio que Não Existe

?O Vazio que Não Existe

?Na sala de aula, o giz riscava a dúvida,

O mestre afirmava: \"Se o mal se faz presente,

E se o Criador é a fonte de toda a vinda,

Então a maldade reside na mão do Onipotente.\"

?Mas no fundo da sala, uma voz se levantou,

Não com gritos, mas com a calma da razão.

Ao mestre arrogante, o jovem questionou,

Sobre o que pensamos ter na palma da mão.

?\"Diga-me, mestre, o frio o faz tremer?\"

\"Sim\", disse o velho, \"é óbvio o seu rigor.\"

\"Perdoe-me a audácia, mas urge esclarecer:

O frio é o nada, é a falta de calor.\"

?\"E a noite profunda que nos rouba a visão,

Seria ela um manto de substância real?\"

\"Sim\", disse o mestre, sem hesitação.

\"Não\", disse o jovem, \"é a ausência do fanal.\"

?Não se mede o escuro, não se pesa o vazio,

Estuda-se a luz, o fóton, o clarão.

O frio não é força, é apenas o desvio,

Da energia térmica em sua vibração.

?Assim é o mal, essa sombra que assusta,

Não é uma essência, um decreto ou criação.

É o vácuo que fica na alma menos justa,

Quando o Amor se retira da equação.