Tenho medo da solidão.
De nunca formar uma família.
De morrer sozinha e sumir
como se nunca tivesse estado aqui,
quando a poeira do tempo
apagar minhas pegadas.
Será que o sol será testemunha
de como contemplei o poente?
Ou a lua, e as estrelas,
de como, inocente,
tentei decifrar sua grandeza?
Andorinhas, pardais, sabiás,
corruíras, rolinhas e sanhaços
será que cantarão em meu favor,
anunciando minha despedida?
Talvez eu esteja devaneando.
Sou apenas um grão de areia
neste mundo infinito.
Mas, a você, eu digo:
eu estive aqui.