Eliete Souza

Morada


Olho pela janela de vidro embaçado. A noite é melancólica, atravessada pelo som e pelo cheiro da chuva.
Respiro fundo e reconheço em mim o desejo mais íntimo: estar nos braços da minha casa, da minha morada.
Ansiar pelas batidas sonoras que sustentam a vida e alimentam a alma.
É nesse intervalo silencioso que me encontro — na profundidade do sossegar.
Ali, onde posso apenas me aproximar, busco a felicidade simples e essencial:
morar e, enfim, ser morada permanente.