Vai minha poesia onde não posso...
Alcançar a expressão do sentimento
Onde repouse meu olhar lacrimejante
Onde se espalhe o amor, esse lamento,
Onde se esconda essa dor navegante!
Vai minha poesia onde não devo...
Afligir com meus acordes tristonhos
Onde tudo lembra tua presença amada
Onde nada me traga antigos sonhos
Onde o silêncio ouça minha voz pausada!
Vai minha poesia onde não quero...
Fitar enternecida a última quimera
Onde teu olhar se esquiva, alma minha!
Onde teu corpo cintila, eu não tivera,
Onde se acalma o vendaval que eu tinha...
Vai minha poesia onde não mereço...
Beijar com sofreguidão a tua imagem
Onde eu pare extasiada a cada passo
Onde eu recolha o sopro da aragem
Onde eu receba com louvor o teu abraço!
Vai minha poesia aonde nunca irei...
Habitar na morada que é teu paraíso
Que fez de ti grandiosamente exuberante
Laureando espaços, proclamando risos,
Na efemeridade dos nossos desejos errantes!