Sandro Paschoal Nogueira

MALANDRO

Malandro tem cheiro de noite,
de rua quente, de tentação.
Não toca, mas deixa nos dedos
a memória da intenção.
?
Quem olha sente o risco,
quem fica perde a razão.
É calma que acende incêndio
sem pedir permissão.
?
Ele dança parado,
provoca sem se mover.
O desejo se oferece
só de imaginar o que é.
?
Não promete eternidade,
mas entrega o agora inteiro.
Quem cruza seu passo lento
nunca sai do mesmo jeito.
?
Malandro não seduz —
ele deixa acontecer.
E quando você percebe,
já quis sem nem querer.

Sandro Paschoal Nogueira