fins são coisas estranhas,
você passa de ser tudo
a não significar mais nada para alguém.
e, de algum jeito, isso te parte.
não de um jeito bonito,
mas do jeito feio, torto,real.
daquele tipo de dor que aperta o peito,
que faz chorar até faltar ar,
que empurra palavras duras pra fora.
não porque você seja ruim,
nem porque o outro seja.
é só a urgência de expulsar a raiva,
de não deixar ela te apodrecer por dentro.
o luto por quem ainda vive dói diferente.
a morte não te levou ninguém,
alguém escolheu ir.
talvez seja isso que machuca mais
e que parece não ter fim.
mas passa
sempre passa.
estamos o tempo todo sobrevivendo
ao que juramos que ia nos destruir.
cicatrizes ainda doem,
mas não sangram
se você não insistir em tocá-las.