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Existência ilógica

Eu sou a chama que arde incandescente
Que intensamente busca ver a vida
A brasa quente que sobe e avisa
Que se mostra displicente em se esconder

 

Mas também sou o gelo que esfria
O pequeno cubo derretendo ao dia
O frio que arrepia quando ninguém vê
Uma alma sozinha congelando a noite...

 

Eu sou a morte olhando a própria foice
Ao contemplar a tristeza que mora na alegria
A beleza que se encontra na saída
No fim do túnel que chamamos de vida

 

Mas também sou a vida tentando ser forte
Girando numa engrenagem inexorável
Solucionando o insolucionável
O azar banhado em azar, buscando ter sorte

 

Eu sou uma cabeça tonta,
Um sofrimento físico
Eu sou o mar sem onda,
Uma ocorrência mágica
Eu sou o bater do gongo,
Um estridente trágico

 

Um quadrado redondo.
Uma existência ilógica.