Francisco Ribeiro

Mariposas

Em tempos, parecia tão fácil...

Quando, do nada, me saía

um poema; e nele dizia:

“Amo-te!”, com todas as letras.

 

Não importa se assim as queria,

mas as letras que escrevia

eram como borboletas,

que as voltas me trocavam

e suavemente, no papel, pousavam

onde o coração lhes pedia.

 

Pois, por estranho que pareça,

não era a cabeça

que mandava os dedos de minha mão…

Cada volta da caneta

era uma dança de borboleta,

orquestrada pelo coração.

 

Como do nada surgiam

e a folha em branco enchiam,

como sopradas por leve brisa que passa…

dando sentido ao sentimento,

ditando para fora

o que trago por dentro,

com a sua cor e a sua graça.