Realizar um sonho não chega como fogos;
vem manso, quase tímido,
como quem senta ao lado e respira no mesmo ritmo.
Primeiro há silêncio, um espanto leve,
depois o corpo entende antes da mente:
é esse peso bom no peito,
essa confirmação sem palavras
de que o impossível cansou de resistir.
Nada muda por fora de imediato,
mas algo se rearranja por dentro,
como móveis trocando de lugar durante a madrugada.
O que antes era desejo vira paisagem,
o que era espera aprende a descansar.
Há gratidão sem euforia,
uma alegria adulta, funda,
que não grita -
sustenta.
Realizar um sonho é perceber
que você cresceu até caber nele.
Que a pessoa que desejava
não é a mesma que alcança.
E nesse encontro silencioso
entre quem você foi e quem se tornou,
o coração sorri devagar,
sabendo que alguns caminhos
valeram cada passo no escuro.