No coração das negras tempestades;
Nos dentes podres do mendigo faminto;
Nos vagalhões afiados que rasgam o mar;
No fungo asqueroso que cresce nos tijolos;
No alvo sorriso das damas bem vestidas;
Ou na luz que desliza por entre as folhas do jatobá,
Existe uma coisa
Uma coisa fina
Fina e colossal
Algo que eu não posso apontar
Não posso lhe mostrar
Não posso desenhar
Não posso nem descrever.
Mas, posso dizer
Que essa coisa
É como Ouro
Um ouro engraçado
Um ouro pequeno
Um ouro humilde
Um ouro puro
Puríssimo ouro
Que só vale para a vista
Mesmo que invisível.