Lanço pedrinhas no lago quieto,
como quem pergunta sem falar.
Cada salto é um segredo breve
que a água aceita guardar.
Círculos nascem, se expandem,
desenham o tempo a passar,
memórias leves, quase nada,
até o espelho voltar a fechar.
A pedra afunda, o lago fica,
silêncio aprende a respirar.
E eu fico ali, inteiro e pequeno,
vendo o mundo recomeçar.