Às vezes o maior inimigo
não tá lá fora…
tá aqui dentro.
Só não deixe a solidão dominar seu coração
Mas é difícil respirar quando ela vira prisão
O poder que nós temos traz angústia e perdição
Quanto mais forte eu pareço, mais fraca é minha mão
Por sermos o que somos, só nos resta a solidão
Ser solteiro não é bênção, é a nossa maldição
No espelho eu me encaro, sem nenhuma ilusão
A pergunta ecoa forte dentro da escuridão
Será que a minha esperança de achar alguém morreu?
Ou fui eu mesmo quem matou tudo que aconteceu?
Sou culpado pelo que aconteceu
A verdade é que o monstro sou eu
Se eu afastei quem só quis me amar
Foi medo demais de me entregar
Desculpe a ela que me esqueceu
Por cada erro que esse homem cometeu
Se hoje eu sangro em silêncio aqui
Foi tentando fugir de quem eu sempre fui
Carrego o peso das palavras que não disse
Dos abraços negados, do amor que eu feri
Quis ser muralha, virei prisão
Confundi proteção com solidão
Não foi falta de sentimento, foi excesso de medo
Medo de ser visto, medo do apego
E quando ela foi, eu entendi
Que o monstro não nasceu — eu o construí
Se amar é risco, eu sempre corri
Mas fugir de mim mesmo foi onde eu caí
Se um dia houver perdão pra alcançar
Que comece em mim, antes de implorar
Sou culpado pelo que aconteceu
A verdade é que o monstro sou eu
Mas se existir chance de redenção
Que seja quebrando essa solidão
Me desculpe a ela que me esqueceu
Por cada erro que esse homem cometeu
Se um dia eu voltar a acreditar no amor
Que eu não seja abrigo… nem causador da dor
Reconhecer o monstro
talvez seja o primeiro passo
pra deixá-lo morrer.