Quem ousa falar do amor sem sangrar?
Mal se anuncia, já nos empurra ao abismo.
É fome que não se sacia,
É colo que falta no instante seguinte.
Quem atravessa seu nome
Sem perder algo de si?
Seria possível desejá-lo
Sem pagar o preço da entrega?
Há peito que suporte
Viver inteiro sem nunca ter amado?
Quem conseguiria medi-lo em palavras?
Vida após vida, ele insiste,
Retorna como um erro repetido,
Habita o homem como uma condenação.
Traz alegria breve e dor duradoura,
Alívio que dura um suspiro,
Com a mesma mão que promete abrigo, rasga.
Ah, miseráveis mortais,
Arrastados por sentimentos que não pediram,
Prisioneiros de algo
Que a razão observa — e falha em salvar.
4 fev 2026 (10:53)