Dois livros de poemas,
que não me chegam as penas
para que os possa escrever…
Nem há rimas tão conseguidas
ou palavras tão sentidas
que digam o que quero dizer.
Não há tinta que vos pinte o riso
ou a alegria desse sorriso
que de tudo me faz esquecer…
E o brilho do vosso olhar?...
Com penas não iria achar
um único jeito de o descrever.
Porque não há risco, não há traço;
nem curva de compasso
que desenhe um beijo vosso…
Ou o carinho, a ternura
e toda essa inocência pura
de alguma forma descrever posso.
Tentei com esquadro e com régua,
e nem com riscos de légua
cheguei ao fim deste Amor…
Que, mesmo querendo, não pinto,
Porque, da forma como o sinto,
não há tinta com tal cor.
Fiz somas em subtrações,
multipliquei divisões…
e igualdade não consegui.
A rima não rimou,
a minha prosa se esgotou,
e assim, desisti.
Mas não fico triste
ou arrependido;
mais do que escrito…
ele é vivido,
e apenas queria dizê-lo,
como o estou dizendo aqui.