A criança não sabe nada
além de deixar o tempo passar desavergonhado.
Como um predador, espera
o próximo instante de alegria,
o prato cheio de satisfação.
Efêmero, é claro.
Nada se guarda para depois,
não há recibos que provem um banquete,
só a fome que esquece de todo sabor.
Sem olhar pra trás,
diga-me quantos momentos já passaram.
Sem olhar pra trás,
diga-me tudo de que você se arrependeu.
Sem olhar para trás, pequeno Orfeu.
Você não quer ir pro Hades,
mesmo sabendo que já perdeu.