Longínquo amor desperta-me em prazer,
imaculado, logo se desfaz;
se amo a alma, não a faças sofrer,
nem tornes rude aquilo que é capaz.
No peito arde a dor que quer viver,
paixão tardia em brasa que não jaz;
confundo novos ares com querer,
promessa vã que o tempo não refaz.
A imagem some à sombra do olhar;
ontem morreu — hoje é breve chama,
o sol do tempo insiste em retornar.
Vens e voltas na palavra que inflama:
corpos se encontram, sem idade ou par,
amam — mesmo quando a verdade chama.
Imagno Velar