Há fenômenos que não pedem tradução, apenas coexistem, como um deslocamento mínimo na órbita interna, um desvio quase imperceptível na rotação do dia; nada quebra, nada cai, mas o eixo nunca mais retorna ao ponto exato. Chamam isso de variação térmica, de maré residual, de eco tardio e eu chamo de dado invisível que persiste mesmo quando o sistema parece estável.
Tudo segue funcional, nos horários, gestos, conversas. Ainda assim, existe um campo ativo onde a física não alcança, uma combustão sem fumaça, uma frequência que reconhece outra frequência sem jamais tocá-la. A continuidade silenciosa, como uma estrela já extinta cujo brilho ainda atravessa séculos para alcançar a retina.
Quem observa de fora vê apenas quietude. Não é ausência, nem contato; é uma permanência fora do calendário, um vínculo que opera sem registro, como a radiação remanescente de um astro já colapsado, ainda atravessando o escuro até tocar matéria sensível