Desde muito cedo a Adelina nos deixou, de bairro em bairro girava, para o pão a nós dar; e em casa, era a Manuela, a mana mais velha que de nós cuidava, tão bem cuidava;
Moça de família, educada, amorosa com os seus e com lágrimas na ponta dos olhos quando um dos seus sofresse;
Ria-se sempre na alegria e desde cedo a mãe ajudou, nunca se fartou, carvão, petróleo, estica, chinelas e caramelos, por nós vendeu, a si, isso sei, isso nunca vendeu;
O Kota, lá em cima, está vendo, isso sei, as lutas, a dedicação, os sonhos, os objectivos, e se vai recompensar, não sei, mas algo sei, a Manuela, não irá desistir, pois se assim fosse, há muito seria, ela acredita, sonha, ora, pede, vai atrás, não descansa, mesmo em Catabola, Kuíto e aqui em Luanda, sabe que está de passagem e nesta passagem que já dura 30 voltas completas ao sol, ela nunca parou, sempre lutou, ao Pai confiou e sua vida a Ele entregou.
Dinheiro não desejo, pois isso se trabalha, então é Deus, o Kota de lá dos céus, Ele é o meu desejo para ti, minha mãe, querida irmã, que tudo o resto Ele saberá, a Seu tempo, dar!