G. Mirabeau

DESASSOMBRO

 

No rés do revés,

No verso do anverso,

O peso. O tamanho...

Eu meço!...

 

No fundo do poço,

Na lama – tão moço!... –

Meus gritos não ouço,

Socorro não peço...

 

No lodo da alma,

No último tombo,

Exposto na palma

Da mão – desassombro (!)... –

 

Inebria a tontura

Da sempre vitória,

O anseio, a aventura,

De entrar para a História...

 

No ponto mais alto,

No pico do cume,

Nos toma de assalto:

A que se resume?...

 

Se na caminhada

Se era feliz,

Por que para o nada

Partir tão se quis?...

 

Se aquém da partida

A nada importar,

Viver não era vida?...

Amor não era amar?...

 

 

O sempre querer,

O sempre mais ser...

O mesmo não ter...

O mesmo morrer!...

 

De onde esta ânsia

Ao mesmo caminho?

Se só se descansa

A parcos carinhos?...

 

Meu Deus! O que era

Tão bom e não basta?...

Por que esta espera

Que o tempo não afasta?...