Esther Porfírio

Banho

A água escorre pela carne

Marcada por desejos

Enquanto no coração, o grito é de desespero

Já a substância presente na mente é um grau de carência recente.

 

Ela tenta se convencer de que está presente, de que apenas isso a faz contente

Mas os seus pedaços não se entendem

Em um só corpo, ela se repele

Ela se completa com uma fragrância 

Que não vai apagar a lembrança.

 

Ela enxuga a carne, o que não elimina nenhum tipo de vontade

Ao olhar no espelho ela revela

O medo, o desespero e o genuíno e doloroso desejo

Ela espera que só ela enxergue a si desse jeito

E ao cobrir a carne

Ela percebe

Que não há nada que a espere.