I - Apresentação
Em um balé de lábios e urgência contida,
Minha boca busca o relevo de tua arquitetura,
Onde seios generosos, como dunas de luz e vida,
Clamam pelo toque que é, em si, uma tortura.
O beijo percorre a curvatura de mármore e calor,
Demorando-se no ápice rosado, em lenta carícia,
Até que o suspiro se transforme em confissão de amor,
E a pele se arrepie sob o domínio da minha malícia.
II - Conflito
O falo, erguido em prontidão e vigor de carvalho,
Aproxima-se da pequena flor, orvalhada em segredo,
Iniciando a intrusão como quem desbrava um atalho,
Com a cautela de quem teme quebrar o medo.
Entra devagar, em um deslize de veludo e posse,
Sentindo o aperto sagrado que o mundo consome,
III - Clímax
Até que o ritmo se acelera, como se a alma fosse
Inundar o abismo que clama pelo meu nome.
A intensidade se torna um galope de sombras e luz,
Onde o atrito incendeia o que era apenas desejo,
E a cadência profunda, que ao delírio nos conduz,
Faz do prazer o único altar que hoje prevejo.
IV - Desfecho
Então, o ápice te colhe em um grito contido,
Gemidos melódicos que rasgam o silêncio do quarto,
Um eco de entrega, de um sentido enfim preenchido,
Enquanto o corpo se arqueia em um êxtase farto.
Vêm os espasmos, ondas que percorrem tua estrutura,
Tremores rítmicos que celebram o fim da jornada,
E no repouso que segue a tormenta mais pura,
Nossas peles descansam, em paz e enfim saciadas.