O mundo nos cerca de pressa e fulgor, O olhar acostuma, a vida perde a cor. Mas há um sussurro que vem nos chamar, Para ver no comum, o raro brilhar.
Não é no altar santo, nem em ritos distantes, Que a alma se eleva em momentos constantes. É no aroma do café, no abraço que aquece, Na luz que desponta, na brisa que cresce.
A espiritualidade desce do Órum, E mora na pausa, no instante limpo. De ouvir o silêncio, de sentir o chão, De ver a beleza na imperfeição.
No rosto cansado que a gente encontra, Na força que luta, na dor que se afronta. Em cada respiração, em cada pulsar, Há um segredo profundo a se revelar.
E a vista se aguça, o coração se abre, Para o mistério que a vida nos cabe. O divino se esconde no gesto mais chão, No templo singelo do próprio coração.
Enxergar o milagre em cada segundo, É transformar o que é simples em vasto e profundo. É a chama interior que se acende, sutil, Tornando o cotidiano, um céu sempre azul.