Jairo Cícero

No Templo do Dia a Dia

 
 
 
O mundo nos cerca de pressa e fulgor, 
O olhar acostuma, a vida perde a cor. 
Mas há um sussurro que vem nos chamar, 
Para ver no comum, o raro brilhar.
 
 
Não é no altar santo, nem em ritos distantes, 
Que a alma se eleva em momentos constantes. 
É no aroma do café, no abraço que aquece, 
Na luz que desponta, na brisa que cresce.
 
 
A espiritualidade desce do Órum, 
E mora na pausa, no instante limpo. 
De ouvir o silêncio, de sentir o chão, 
De ver a beleza na imperfeição.
 
 
No rosto cansado que a gente encontra, 
Na força que luta, na dor que se afronta. 
Em cada respiração, em cada pulsar, 
Há um segredo profundo a se revelar.
 
 
E a vista se aguça, o coração se abre, 
Para o mistério que a vida nos cabe. 
O divino se esconde no gesto mais chão, 
No templo singelo do próprio coração.
 
 
Enxergar o milagre em cada segundo, 
É transformar o que é simples em vasto e profundo. 
É a chama interior que se acende, sutil, 
Tornando o cotidiano, um céu sempre azul.