(Lucien Vieira)
Eis um breve desabafo,
direcionado de maneira muitíssimo especial
aos nossos amorais de cada dia — a todos eles.
Sobretudo àqueles a quem outorgamos
o direito de nos destituir de nós mesmos:
Canalhas, hipócritas, peritos em falsear,
ludibriar, furtar, roubar, mentir...
Mestres avessas, conjecturam só em seus adequados fins;
Defensores ferrenhos de causas que lhes importa;
Cuidam tão-somente de si, de suas hortas.
Mídias, mídias compradas, vendidas, tortas.
Justiça? Nem sei mais se a justiça é cega, ou enxerga.
Aposentados — rápido — fechem as portas.
Socorro, há bilionários ‘masters’ surrupiando salários
e oferecendo, em uma tal capital, a estelionatários.
Não vendo imóveis; na minha casa não há dinheiro.
Aliás, não há guardas de plantão, câmeras, portão
nem porta no banheiro.
Majestosa malandragem:
viramos o material que sustenta as viagens.
Sanguessugas, desonestos...
Devorem aí, digníssimos engodos, esse manifesto:
Fodam-se, fodam-se,
fodam-se todos!