Ana julia Fernandes borba

Correntes de Água Salgada

Num lugar escuro, escuto murmúrios:

E não são meus...

 

Não se preocupe

Com meu céu cheio de nuvens,

Vai! Salve-se também...

 

Não se amaldiçoe por mim...

Vai se arrepender!

A sua luz é muito forte.

Não vai conseguir... eu sou a própria escória

Da escuridão.

 

Tempestade!

Você demorou, aí o vento me levou!

Você tinha prometido...

 

Está sentindo dor?

Falei pra você ir, você escutou...

Não vou te ver mais...

 

Sou ridículo... Invejo o seu sol!

Enquanto sou atormentado

Pelo meu próprio furacão.

 

Me abandonou?

Achei que era impossível.

Como posso ser tão egoísta...

 

Maldita esperança!

Frágil, delicada.

De novo foi levada...

 

Memórias que eu tinha com você,

Que pesam mais que essas correntes

Que me prendem no chão.

 

Oh, o calor tá indo embora...

Mas não vou te incomodar

Para me esquentar.

 

Vou mergulhar no mar!

Levarei comigo

As correntes, para prender a escória do meu lado.

As memórias pesadas

Me condenaram.

 

Elas me deixaram impertinente.

Assim como era com seu sol,

Que sempre me incomodou.

 

Enfim, o silêncio do abismo.

Aqui embaixo, o seu sol não me alcança,

E o sal cura o que as correntes não puderam quebrar.

A escória encontrou o seu repouso...

Onde o peso é a única paz que me resta.