Num lugar escuro, escuto murmúrios:
E não são meus...
Não se preocupe
Com meu céu cheio de nuvens,
Vai! Salve-se também...
Não se amaldiçoe por mim...
Vai se arrepender!
A sua luz é muito forte.
Não vai conseguir... eu sou a própria escória
Da escuridão.
Tempestade!
Você demorou, aí o vento me levou!
Você tinha prometido...
Está sentindo dor?
Falei pra você ir, você escutou...
Não vou te ver mais...
Sou ridículo... Invejo o seu sol!
Enquanto sou atormentado
Pelo meu próprio furacão.
Me abandonou?
Achei que era impossível.
Como posso ser tão egoísta...
Maldita esperança!
Frágil, delicada.
De novo foi levada...
Memórias que eu tinha com você,
Que pesam mais que essas correntes
Que me prendem no chão.
Oh, o calor tá indo embora...
Mas não vou te incomodar
Para me esquentar.
Vou mergulhar no mar!
Levarei comigo
As correntes, para prender a escória do meu lado.
As memórias pesadas
Me condenaram.
Elas me deixaram impertinente.
Assim como era com seu sol,
Que sempre me incomodou.
Enfim, o silêncio do abismo.
Aqui embaixo, o seu sol não me alcança,
E o sal cura o que as correntes não puderam quebrar.
A escória encontrou o seu repouso...
Onde o peso é a única paz que me resta.