O meu corpo se move
Eu sinto o vento bater
Como uma tapa gelado em meu rosto
Ouço gritos
Desesperados, surpresos
Posso até imaginar seus rostos
em completo choque
E meus ossos estalam
Um estalo seco e doloroso,
Um baque surdo
A única coisa que posso ver é um borrão
Como olhar para a água turva
A água turva de um lago
antes congelado
Sinto algo molhado
Quente e viscoso ao redor de meu corpo
Mais espanto ecoa
Borrões se movem em meu entorno,
falam coisas inaudíveis
A dor
percorre meu corpo com uma laçaço
A adrenalina passou rápido demais,
não conseguiu segurar tudo
E eu sinto a dor agonizante se espalhar
Meus ossos, minha carne, minha pele
Arde como o fogo em brasa
E logo tudo esfria
E tudo fica preto
Um apagão
Parece um eclipse solar,
talvez tenham apagado o sol
Mas é só a morte fria me abraçando
Levando a minha alma do corpo
E eu não exito em caminhar ao seu lado
sem antes olhar para trás
e ver o horror, o espanto, as lágrimas,
os gritos, o assombro
Estampados em seus rostos
Acho que não foi uma boa ideia
Pular da sacada,
no horário de pico.