A casa da vovó, de saudade vestida,
Lá está ela, parada, na mesma avenida.
Lembro do cheiro, do riso, da sua canção,
Mas ao pisar na soleira, só vejo solidão.
É um desespero olhar o terreiro deserto,
Saber que o meu mundo não está mais por perto.
Não há o som da voz chamando, me gritando,
Pedindo ajuda enquanto a vida está passando.
\"Vem me ajudar a varrer o terreiro, menina!\"
Essa voz, que agora, silêncio é o destino.
Suas plantas não sorriem, murcham de tristeza,
A vida se esvaiu, levou toda a beleza.
O que restou pra nós é a lembrança somente,
De cada canto onde a luz da vovó era quente.
O vento leva a poeira de um tempo que se foi,
E o coração dói, mas de amor, não de ói.