Raquel Santos

Vovó

A casa da vovó, de saudade vestida, 

Lá está ela, parada, na mesma avenida. 

Lembro do cheiro, do riso, da sua canção, 

Mas ao pisar na soleira, só vejo solidão. 

É um desespero olhar o terreiro deserto, 

Saber que o meu mundo não está mais por perto. 

Não há o som da voz chamando, me gritando, 

Pedindo ajuda enquanto a vida está passando. 

\"Vem me ajudar a varrer o terreiro, menina!\" 

Essa voz, que agora, silêncio é o destino. 

Suas plantas não sorriem, murcham de tristeza, 

A vida se esvaiu, levou toda a beleza. 

O que restou pra nós é a lembrança somente, 

De cada canto onde a luz da vovó era quente. 

O vento leva a poeira de um tempo que se foi, 

E o coração dói, mas de amor, não de ói.