lu.poesya

Entre a palavra e o silĂȘncio

Eu digo que não sei me expressar,
mas isso é só a superfície.
A verdade é que sinto fundo demais
pra caber em frases simples.

Quando tento falar,
as palavras se quebram antes de sair.
Ficam presas na garganta,
como se tivessem medo
de não serem compreendidas.

Então eu calo.
E no silêncio, aprendo a conviver
com tudo o que nunca foi dito.
Com emoções acumuladas,
com vontades de ser entendida
sem precisar explicar.

O peito nunca descansa.
Ele fala em batidas longas,
em cansaços que ninguém vê,
em noites onde pensar dói mais
do que sentir.

Aprendi cedo a disfarçar.
Transformei confusão em maturidade,
tristeza em força,
e o medo de incomodar
em silêncio educado.

Mas há dias em que o peso aparece.
Dias em que tudo parece demais
e eu não sei por onde começar
a ser honesta.

É nesses dias que escrevo.
Porque no papel, não preciso ser clara,
nem leve,
nem forte.
Posso ser quebrada, confusa,
inteira do meu jeito.

A escrita não me julga.
Ela me acolhe.
Deixa que o que dói exista
sem pedir pressa,
sem pedir explicação.

Talvez eu nunca saiba dizer
o que sinto olhando nos olhos.
Talvez minha voz sempre falhe
quando mais preciso dela.

Mas enquanto eu puder escrever,
o que mora no meu peito
não vai desaparecer em silêncio.

Mesmo melancólico,
sentir ainda é resistência.
E continuar sentindo,
mesmo cansada,
é a forma mais sincera
que encontrei de existir.