Nelysson Santos De Araujo

A Sintaxe do Afeto

Pela ousadia da palavra e pelo manuseio singelo porém observador da língua, escreveria para ti. Usaria algumas orações e faria delas o predicado do sujeito que sou eu, eu mesmo, que te escrevo. Nessa oração você seria o núcleo e dona de toda a atenção da minha sintaxe. Colocar-te-ia ao meu lado como a junção de duas letras que formam um som – o dígrafo. Estando separadas, essas letras não produziriam som algum, de igual modo, eu sem você também me torno um pouco mudo. Conjugaria alguns verbos e me aproveitaria deles. Conjugaria desejar para dizer que desejo-te, almejar para dizer que almejo-te,  esperar para dizer que espero-te e já abusando da ênclise e sem nenhuma conotação usaria o verbo amar para dizer que amo-te. Com a hipérbole eu diria que sonhei mil noites contigo, com a metáfora diria que li o livro dos teus olhos tão meigos. Com a comparação diria que teu olhar é como fogo que arde em mim e ao mesmo tempo como orvalho que me refresca. A onomatopeia me permite dizer que meu coração vez ou outra faz tun-tun quando a vejo. De toda as linguagens que posso usar, prefiro a do tato das minhas carícias e o enlace das nossas almas no enredo de um abraço. Eu facilmente escreveria sobre nós um artigo completo ou quem sabe um texto dissertativo argumentativo. Escreveria crônicas e contos, charges, versos e poesias. Escreveria os mais diversos gêneros, todos quantos coubessem a nossa história, pois com você eu sinto que posso fazer de tudo uma rima, até da prosa.

 

Por Nélysson Santos de Araújo