É cruel notar que o tempo
Não respeita o nosso luto.
Ele não para nos deixar respirar,
Nem desacelera quando o peito aperta.
O mundo lá fora
É um barulho insuportável
De gente que ainda tem pressa,
Enquanto eu carrego esse peso
Que ninguém mais vê.
Dói ver as luzes acesas,
As risadas na esquina,
Os planos sendo feitos...
Será que ninguém percebe
Que o meu chão desapareceu?
O luto é esse descompasso:
Ter que caminhar entre os vivos
Quando uma parte de nós
Insiste em ficar parada
Naquele último adeus.
A saudade não prova que algo acabou;
prova que algo foi eterno
enquanto durou.