Me perguntaram: “você nunca se apaixonou?”
Sim.
Já estive tão apaixonada
que borboletas faziam morada no meu estômago.
Ansiava o raiar do dia para conversarmos
e esperava sua visita nos meus sonhos,
nos imaginando em um campo florido.
E ao amanhecer, minha felicidade
era simplesmente estar contigo.
Em meu rosto tinha estampado um sorriso.
Ao entardecer, corria até o fundo do quintal
e meus olhos brilhavam
enquanto te tecia em meus pensamentos.
No peito,
um desejo ardente e pulsante pela sua presença.
Amava quando dançávamos no mesmo compasso,
quando eu o via em tudo —
e tudo era você.
Tudo era intenso,
imaturo,
mas verdadeiro.
Com o tempo, esse amor amadureceu.
Mas receio que, nesse processo,
eu tenha esquecido
de todo aquele encanto do início.
Tornou-se algo sólido e belo,
mas sinto falta da intensidade.
Sinto falta do coração vibrando,
das pupilas dilatadas,
de falar desse alguém a qualquer um que cruzasse meu caminho.
Perdi aquela inocência boa
e não sei
como recuperar.