Em teu silêncio encontro abrigo,
Não feito de palavras ou gestos,
Mas de algo tão sutil e antigo,
Que nem o tempo pode levar, resto.
És refúgio invisível, segredo calmo,
Onde a alma minha se acalma e repousa,
Mesmo longe, és o doce palmo
Que afaga a dor que o peito ousa.
Não te peço mais que tua existência,
Nem cobro a atenção que não tens,
Só guardo em mim, com paciência,
O amor que é paz e não desdém.
Assim, no silêncio, sigo amando,
Sem esperar, sem sufocar,
Pois amar é também respeitando,
Deixar o outro livre para voar.