Jérsia Alexandra Castelo Castanheta

Guardião Da Quietude

Em teu silêncio encontro abrigo,  

Não feito de palavras ou gestos,  

Mas de algo tão sutil e antigo,  

Que nem o tempo pode levar, resto.

 

És refúgio invisível, segredo calmo,  

Onde a alma minha se acalma e repousa,  

Mesmo longe, és o doce palmo  

Que afaga a dor que o peito ousa.

 

Não te peço mais que tua existência,  

Nem cobro a atenção que não tens,  

Só guardo em mim, com paciência,  

O amor que é paz e não desdém.

 

Assim, no silêncio, sigo amando,  

Sem esperar, sem sufocar,  

Pois amar é também respeitando,  

Deixar o outro livre para voar.