A raiva não grita.
Ela se deposita.
Camada sobre camada,
como lava ardente
que aprende a esperar.
O vulcão trabalha em silêncio.
Por fora, nada treme.
Nada denuncia o processo.
Guardo mágoas
com cuidado minucioso,
como quem calcula o tempo
do acúmulo.
Analiso.
Respiro.
Permaneço.
Até que sair de cena
se torna a única forma de paz.
Não olho para trás.
Não aceno.
Meu adeus não é gesto.
É processo
concluído.
Então a lava vem:
lenta, inevitável,
erosiva.
Não pede permissão.
Não explica.
Não se desculpa.
Passa.
E o que resta
são cinzas suficientes
para não voltar.