Olho para as pessoas e penso:
eu sei o que você está pensando.
Leio almas sem pedir permissão,
então não adianta fingir afeto
nem concordância ensaiada.
O seu olhar
é a janela que toca a minha.
Se está aberta, eu atravesso.
Se treme, eu sinto.
Se mente, eu sei.
É estranho?
Talvez.
Mas é assim que sou.
Leio pensamentos
e deixo que os meus também se revelem.
Nunca aprendi a fingir —
e nem quis.
A verdade sempre foi minha língua materna.
Não tenho medo de não ser aceita.
Eu me basto.
Sou casa, sou abrigo.
E só quero por perto
quem escolhe ficar
com a mesma sinceridade
que eu me entrego ao mundo.