Se quiseres,
Posso ser o tempo que não urge,
O compasso tênue entre teus passos,
A brisa que roça sem que surja,
Mas que repousa — etérea — em teus espaços.
Não te ofereço promessas celestiais,
Pois sei: até os astros despencam do firmamento.
Mas se em mim quiseres pousar teus silêncios ancestrais,
Farei de cada um, um véu de acalento.
Não sou herói de fábulas encantadas,
Nem canto em métrica de epopeias sublimes,
Mas sei conter em mim tuas encruzilhadas,
Sem medo do abismo, sem julgar teus declives.
Posso ser o abrigo em tardes desbotadas,
A quietude que nasce após o vendaval,
O toque invisível — ausência abraçada —
Que te envolve sem voz, mas tão real.
Se quiseres,
Não te oferecerei promessas de eternidade,
Mas presença inteira em cada fração.
Não clamarei por verdades sem validade,
Mas serei honesto — palavra e ação.
Não te enlaço com juras nem adornos vãos,
Mas com a leveza de quem vê — e compreende.
És cosmo em faíscas, fulgor entre as mãos,
Poema que o mundo não lê, mas surpreende.
E ainda que nunca me vejas como teu,
Serei verso, serei chão, serei constância.
Pois basta-me ser aquele que te leu
Com olhos nus — e amor sem ganância.