Gaúcho, não desista
(Juliana de Lima 23/04/2010)
Os cavalos não morreram,
as adagas ainda brilham,
O lenço colorado conserva o brio
E no ideal perdura a nobreza.
Mas os olhos entristeceram,
no coração as amarguras trilham,
A alma tirita de frio,
Em um verão de pura beleza.
Tens um íntimo chucro,
E o corpo maleável;
Vives pela mais-valia,
Coisa que não sabes conceituar.
Na terra que amas não vês lucro,
E sim um sobreviver aceitável,
Que mal sustenta a família.
Mas é aí onde vais continuar.
Conservas teu telurismo,
Teu orgulho de terra sulina,
Decência...
Princípios que um homem deve ter.
Não permitas na tradição o capitalismo,
Desonra que sua amizade não atina,
mantenha na alma a essência,
Força de farrapo: nobre ser.
Gaúcho, não desiste,
Tu vives no paraíso.
Ergue para os céus sua vista
E por tudo agradeça à Deus
com um sorriso.
(Juliana de Lima).