Em silêncio jurei-te um amor sem brasão,
feito voto antigo, guardado na mão.
Não clamo teu nome, não peço clemência,
pois amar-te é honra, não é insistência.
Sei bem que teu riso floresce melhor
quando meu passo não cruza teu sol.
Por isso me ausento, não por desamar,
mas por te querer sem te aprisionar.
Sou sombra que zela à beira do chão,
vigia distante do teu coração.
Meu canto é contido, meu verbo é tardio,
pois fere mais o apego que o frio.
E quando te fito — relíquia de luz —
meu peito se curva e o tempo reduz:
vejo-te qual crepúsculo santo e fiel,
meu primeiro milagre
e meu derradeiro céu.
Assim sigo só, sem rogo ou sinal,
trovador sem dama, amor sem final.
Se viver sem mim te faz florescer,
então calar-me é o mais nobre viver.