Guardar cartas antigas é querer guardar o tempo. É que o tempo não é passível disso.
Quisera eu poder guardar o tempo numa carta, numa palavra, em uma memória. Mas o tempo é tão preciso que isso nunca seria possível.
A gente não consegue nem guardar o amanhã e nem guardar o que passou.
Porque a gente só tem o hoje; não conseguimos recomeçar nada, pois tudo é uma nova etapa, né?
Então, joga fora. Porque é só uma energia presa ali, uma energia que não volta, porque o próprio tempo não volta.
Infelizmente, precisamos viver o hoje, o agora. Esse é o único instante no tempo que nesse momento a gente é capaz de tocar.